Flupp Pensa – Resultado final

Estes são os nomes, territórios e pontuações dos autores selecionados na primeira FLUPP Pensa. Os 45 novos autores publicarão um livro, pela Editora Aeroplano, com patrocínio do BNDES, a ser lançado em novembro, durante a FLUPP, no Morro dos Prazeres.

Os critérios para seleção foram: qualidade dos textos, presença nos encontros e regularidade de envio dos textos.

Agradecemos nossos parceiros, além do BNDES, o British Council, a Globo, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e ao Sistema Firjan/SESI Cidadania. Além de Academia Brasileira de Letras, Academia de Polícia Militar do RJ, Beat 98, Biblioteca Nacional, Coordenação de Polícia Pacificadora, Criança Esperança, FLIP, Galera.Com, Recicla Leitores, Secretaria de Assistência e Direitos Humanos/Sub-secretaria de Defesa e Direitos Humanos, Secretaria de Estado de Segurança-RJ, Sociedade de Amigos e Moradores do Morro dos Prazeres e UPP Social.

Agradecemos a participação de todas as escolas, associações, ONGs e moradores das comunidades que nos receberam.
Agradecimento também a todos os autores, críticos, professores e editores que participaram do processo.
Um último, mas não menos importante, agradecimento a todos os FLUPPenseiros, selecionados ou não.

Clique na imagem para ver a listagem:

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FLIP & FLUPP: autores estrangeiros encontram os novos autores da periferia

No dia 3 de abril de 2012, era dado o pontapé inicial para o game literário que reuniu cerca de 100 novos escritores no percurso de encontros com autores consagrados em 13 comunidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o FLUPP Pensa. O desafio foi cumprido com êxito, a cidade e seus entornos foram costurados e uma rede de escritores e saraus da periferia foi fortalecida e reconhecida por importantes figuras da literatura brasileira.

Nos próximos dias 9 e 11 de julho, o FLUPP Pensa chega à reta final com uma programação memorável onde extrapola a sua distinção de ativar uma rede local para estabelecer conexões globais. A primeira delas é com sua inspiradora direta, a FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty (http://www.flip.org.br). Através da parceria inédita, autores estrangeiros que aportaram no sul fluminense entre os dias 4 e 8 deste mês, sobem os morros dos Prazeres e do Cantagalo para encontrar os autores do FLUPP Pensa e leitores em mesas abertas ao público e gratuitas durante o FLIP & FLUPP.

O Casarão dos Prazeres é a casa da FLUPP no dia 9. O ponto de partida da FLUPP Pensa será também o palco do anúncio dos trinta vencedores do game literário que terão seus textos publicados na coletânea da FLUPP, em novembro. Três mesas com escritores internacionais serão realizadas neste dia com o apoio do British Council (http://www.britishcouncil.org/br/brasil.htm).
O escritor galês Cynan Jones, que conta histórias atravessadas pelo regionalismo de seu país e colaborou no último número da maior revista literária da atualidade, a Granta (http://www.granta.com/) número 119 – especial Grã Bretanha – encontra John Freeman, editor desta que é a maior publicação de literatura contemporânea da atualidade. Na ocasião, Freeman lança no Rio a esperada edição Os melhores jovens escritores brasileiros (http://www.granta.com/New-Writing/Best-of-Young-Brazilian-Novelists). Em seguida, a escritora cubana Zoé Valdés, nascida em 1959, ano da revolução, radicada na França há mais de 20 anos, comenta sua obra crítica ao regime da ilha acompanhada pelo escritor brasileiro Paulo Scott. O escritor, roteirista e diretor de cinema Hanif Kureish, de mãe inglesa e pai paquistanês, nascido em Londres, com sete livros publicados no Brasil, encerra a tarde do primeiro dia de FLIP & FLUPP explorando sua obra sensível aos ruídos do emaranhado de culturas que convergem hoje na Inglaterra.

O Cantagalo é a última parada da FLUPP Pensa. No dia 11 de julho, o Espaço Criança Esperança recebe o segundo dia de encontros do FLIP & FLUPP. Uma mesa espanhola abre os trabalhos do dia. O escritor, jornalista e diretor de cinema espanhol David Trueba encontra o editor Malcolm Barral para discutir as relações entre autor e editor.

O fenômeno literário Ana Maria Machado, presidente da Academia Brasileira de Letras, encontra Dulce Maria Cardoso, uma das mais premiadas escritoras de literatura portuguesa contemporânea, para pensar as relações familiares através da escrita com mediação da escritora Ângela Dutra de Menezes, especialista em literatura portuguesa.

Vencedor do prêmio da Fundação Hemingway/ PEN de melhor ficção pelo romance Cidade Aberta (2011), Teju Cole nasceu nos Estados Unidos, foi criado na Nigéria, terra de seus pais, e voltou a América na década de 1990. Douglas Mayhew é um egresso do mercado de artes novaiorquino que lançou corpo e olhar cosmopolita pelas favelas do Rio de Janeiro reunindo as primeiras considerações sobre a implementação das UPPs nesses territórios em seu livro Inside the Favelas: Rio de Janeiro (no prelo). Os dois se encontram na terceira mesa da FLIP & FLUPP para discutir suas narrativas que lançam olhares sobre ‘o outro’.

Encerrando o segundo dia de debates, o escritor indiano radicado em Nova Iorque Suketu Mehta, autor de Bombaim: cidade máxima (2011) – sobre o ritmo frenético da metrópole mais populosa da Índia – junta-se ao escritor, cientista político e amigo pessoal Luiz Eduardo Soares para discutir a favela como solução nos contextos brasileiro e indiano.

Enquanto os fãs da literatura mundial contemporânea mergulham no universo dos autores da FLIP, a criançada se diverte na primeira ação da FLUPP Parque (http://flupp2.hospedagemdesites.ws/?cat=8). Uma grande programação foi preparada para crianças e jovens com astros da TV Globo lendo alguns dos maiores clássicos da literatura infanto-juvenil brasileira no Espaço Criança Esperança. Entre os autores que encantarão a tarde dos pequenos estão obras de Clarice Lispector, Ruth Rocha, Ziraldo, Ana Maria Machado, Silvia Orthof e Marina Colassanti. O FLIP & FLUPP é um encontro entre narrativas globais e locais que vai marcar um período de novos cruzamentos na cidade e no mundo. Imperdível.

FLIP & FLUPP
Dia 9 de julho – Casarão dos Prazeres
Endereço: Rua Almirante Alexandrino, nº 3.286 – Morro dos Prazeres, Santa Teresa

Mesas
14h – John Freeman e Cynan Jones
16h – Zoé Valdés e Paulo Scott
18h – Hanif Kureish

Dia 11 de julho – Espaço Criança Esperança
Endereço: Estrada do Cantagalo, s/n, Cantagalo

Mesas
11h – David Trueba e Malcolm Barral
14h – Dulce Maria Cardoso e Ana Maria Machado
16h – Teju Cole e Douglas Mayhew
18h – Suketu Mehta e Luiz Eduardo Soares

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Elisa Lucinda em Vigário Geral

Ela raspou as economias e investiu tudo em uma casa onde pelos quatro cantos ressoa a poesia falada. A Casa Poema, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, é a realização de um sonho da atriz e poetisa capixaba Eliza Lucinda. Lá, funciona a Escola Lucinda de Poesia Viva, onde se aprende a falar poesia sem cerimônia. Não é falta de respeito. É um apelo que Elisa faz àqueles que escrevem e recitam poemas. “Ficou muito démodé essa formalidade de dizer poema declamando e ninguém entendendo nada”, disse ela em entrevista ao poeta e jornalista Ramon Mello na abertura de sua casa-escola-refúgio, em 2009. No próximo sábado (7), Elisa Lucinda encontra os autores e leitores da FLUPP Pensa, a partir das 18h, na Sala Santander do Espaço Wally Salomão, em Vigário Geral.

Formada em jornalismo, a bela saiu de Vitória, sua cidade natal, e chegou ao Rio de Janeiro em 1986 para atuar. Teatro, cinema e televisão a receberam muito bem. Em 1994, lança O Semelhante, seu primeiro livro de poesias. Com seus textos descompromissados com o formal, sobe aos palcos para falar poesia e conversar com o público sobre o cotidiano. Sua obra é atravessada por epifanias. Elisa lança olhar astuto a situações corriqueiras, que pareceriam banais a outros olhos. Seja num circo, na chegada do amor, fitando os olhos verdes da mulata exportação ou num momento de indignação. Elisa dá visibilidade às opressões de gênero e de raça em pequenas atitudes do dia a dia, mas não arreda o pé, nem abaixa a cabeça. Costura com as palavras suas bandeiras. O estandarte que há muito vem fazendo barulho e potência para Elisa é o seu espetáculo Parem de falar mal da rotina (foto), em cartaz há mais de 6 anos.

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À flor-da-pele

Por Bruno F. Duarte
Fotos de Jeferson Pedro

Eliane Brum conta a sua história através das histórias que conta. É assim desde que começou a carreira como repórter no jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul. Não foi diferente em seu encontro com os autores e leitores da Flupp Pensa, no Centro Cultural Cartola, aos pés do morro da Mangueira, no dia 30 de junho. Narrar a vida de pessoas comuns, daqueles que não saíam no jornal, virou missão. Por escolha política, tornou-se uma repórter de desacontecimentos. Em histórias ordinárias, pratica olhar e escuta apurados – “as únicas ferramentas de um bom repórter”-, para contar o extraordinário que é estar vivo. “O jornalismo conta a história de uns poucos. Isso é tornar a nossa vida desimportante. Se a vida não tem importância, a morte também não tem e isso vira apenas estatística. Faço essa busca para mostrar que não existem vidas comuns. As histórias que eu conto mostram a brutalidade de ser invisível”, diz a jornalista, que escreve todas as segundas-feiras para a coluna Nossa Sociedade, no site da revista Época.

Histórias como a de Alverindo, o homem que há 30 anos vê o mundo debaixo para cima na Rua da Praia, em Porto Alegre, ou a de Jorge Luiz, o comedor de vidro que chora o dente quebrado e o abandono do público na Praça do Mercado, vieram ao encontro de Eliane a cada movimento seu para fugir da cegueira institucionalizada, que nos impede de dar importância aos acontecimentos que se repetem ou os enquadram em esteriótipos folclóricos – “o jeito mais cretino de se olhar o outro”, afirma. Oito anos após se embrenhar pela floresta das parteiras ouvindo algumas das 752 ‘pegadoras de meninos’ do Amapá, estado campeão em partos normais no país, Eliane debruçou-se sobre a investigação daquilo que chama de morte silenciada – aquela que não está no campo do acidente, das balas perdidas, da morte violenta, mas são da ordem da velhice, da doença, do esquecimento. “A morte que a maioria de nós vamos ter”, diz à flor-da-pele.

A merendeira aposentada Ilce de Oliveira Souza teve os seus últimos cento e quinze dias de vida acompanhados diariamente pela repórter. Ilce era paciente da Clínica de Cuidados Paliativos do Hospital dos Servidores do Estado de São Paulo. Logo após a sua aposentadoria, a merendeira recebeu o diagnóstico de um câncer em local inoperável. “Quando tive tempo, descobri que meu tempo tinha acabado”, disse Ilce em uma das entrevistas antes de partir em 26 de março de 2008. A história dela, mais que todas, mudou a forma como Eliane se relacionava com o tempo e com seus personagens. “Eu queria me tornar dona do meu tempo. Precisava dar outro sentido pra minha vida. É nesse momento que surge a ficção. Tem certas realidades que só a ficção suporta”, afirma.

Uma, duas (2011), seu primeiro romance, explora um tema universal. Como uma filha se arranca do corpo da mãe e vice-versa? Como arrancar-se do útero? Se para contar as histórias alheias Eliane empreende um esforço para esvaziar-se e ir em direção à vida do outro, para escrever uma ficção ela se lança para dentro. “Me deixo possuir pelas vozes dos outros de mim, das profundezas abissais. O mais assustador é deixar ser possuído por si mesmo”, revela. Letramento e leitura a libertaram da infância numa casa escura em Ijuí – RS, marcada pelo luto da perda de sua irmã mais velha. Para Eliane, escrever é a possibilidade de transformar impotência em potências e de compartilhar pesadelos. “A vida é o caos e isso é o que nos faz continuar, a busca por sentido. A vida é a nossa primeira ficção. Escrever é sempre pouco e sempre muito. Se eu não tivesse a literatura eu teria morrido. É só transformando vida em palavra escrita que eu consigo dar sentido à minha vida”, afirma a repórter em carne viva aplaudida de pé pelo público ao final do encontro.

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Próxima parada: Eliane Brum na estação primeira de Mangueira

Por Bruno F. Duarte

“Escutadeira”, é assim que a jornalista, escritora e documentarista gaúcha Eliane Brum se define. Eliane inciou a carreira jornalística no jornal Zero Hora, onde permaneceu ao longo de 10 anos. A partir do ano 2000, trabalha como repórter especial da revista Época, onde ouve histórias arrebatadoras e se entrega a um processo de esvaziamento – “Se eu estiver cheia, não vou ser preenchida de nada”, diz. Eliane tem seu trabalho reconhecido e laureado com mais de 40 prêmios jornalistícos, entre eles os prêmios Esso e Vladimir Herzog no Brasil e o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha.

Nascida em Ijuí, em 1966, Eliane Brum publicou três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (1994), A Vida Que Ninguém Vê (2006), pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Melhor livro de Reportagem – e O Olho da Rua (2008). Em 2012, lança seu primeiro romance - Uma, duas. No cinema codirigiu dois documentários. Em Uma História Severina (2005) , a personagem do título está prestes a interromper a gravidez de um feto anencéfalo quando os ministros do Supremo Tribunal Federal derrubam a liminar que permitia legalmente o procedimento. Em Gretchen Filme Estrada (2010) é a investida na vida política da rainha do rebolado o objeto de análise. Atualmente é colunista do site da revista Época.

No próximo sábado (30), na quadra da Estação Primeira de Mangueira, a partir das 18h, Eliane é esperada para ser ouvida, mas, por seu talento como ouvinte, pode sair  do encontro com os autores e leitores da FLUPP  Pensa cheia de histórias. Siga o perfil da FLUPP (www.twiter.com/flupp2012)  no Twitter e saiba antes das novidades do game literário que vai revelar 30 novos autores da região metropolitana do Rio de Janeiro.

 

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